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Déficit público e interesses econômicos tensionam o plebiscito do Pará

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(2’06” / 492 Kb) – A população paraense decidirá no próximo domingo (11) o futuro sobre seu estado. A votação pelo “sim” ou pelo “não” sobre a criação de mais dois estados, Tapajós e Carajás, no território que hoje é o Pará ainda gera polêmicas. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que a divisão do Pará geraria um déficit aos cofres públicos – dos estados e da União.

O Pará registra um superávit anual de R$ 300 milhões. Um futuro estado de Carajás teria déficit de R$ 1 bilhão anual, o de Tapajós R$ 864 milhões e o Pará remanescente, R$ 850 milhões.

Para o pesquisador do Ipea, Francisco de Assis Costa, o desenvolvimento econômico e social dos novos estados – argumento dos defensores da divisão ­– é uma possibilidade futura, mas não uma garantia.

“Considerando a história da organização dos estados brasileiros, a sua lógica de dispêndio e de receita, temos esse quadro de déficit. Considerando um futuro dinâmico para algumas áreas, então se pode ter lá adiante uma nova situação. Mas não há, no momento, como fazer esse enunciado”.

Outra questão é a influência que projetos como a Usina de Belo Monte – na área de Tapajós – e da mineradora Vale – em Carajás – teria sobre a decisão de criar novos estados.

“Essas regiões têm uma dinâmica econômica própria, que gerou novas elites e novos atores de muito peso. Obviamente que esse conjunto de novas forças busca expressão política. No caso de Carajás, a companhia Vale, por exemplo, tem uma participação no valor adicionado - na formação do fundamento de renda – mais importante da região, isso é um peso muito grande, que obviamente tem muita expressão política ou busca expressão política”.

Caso o “sim” ganhe a eleição, o projeto terá que ser sancionado pela presidenta Dilma Rousseff.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

09/12/11