CIMI denuncia a morte de 12 crianças indígenas no Acre, em um mês
(1’58” / 464 Kb) - Pelo menos 12 crianças indígenas morreram no último mês, depois de apresentarem sintomas similares ao do Rotavírus, segundo informações do Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Com idade máxima de cinco anos, elas pertenciam a comunidades localizadas entre os municípios de Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano, no estado do Acre.
O CIMI informou que dois bebês deram entrada no Hospital de Rio Branco, nesta quinta-feira (19), com os mesmos sintomas. Diarréia, vômito, febre e dores no corpo são as ocorrências mais frequentes.
O Distrito Sanitário do Alto Purus ainda não confirmou a denúncia. No entanto, o líder indígena Lindomar Padilha ouviu relatos dos pais das crianças mortas. Ele afirma que nenhuma delas recebeu tratamento adequado.
“Algumas foram atendidas na cidade de Manoel Urbano, mas não foram feitos exames suficientes para a gente identificar se era Rotavírus oi não.”
Em agosto de 2011, o Senado Federal autorizou a criação da Secretaria Especial de Saúde Indígena. O órgão deveria substituir a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e garantir acompanhamento médico a cerca de 400 mil pessoas. Para Padilha, as mudanças tornaram os serviços mais precários ainda.
“Não se definem responsabilidades. Muita coisa ainda está na mão da Funasa. Outras coisas é a Secretaria que responde, mas fica aquele jogo de ‘empurra’ e ninguém assume. E ainda tem o Governo do Acre cujas ações não são bem definidas. O grave é que tem muita gente envolvida e ninguém faz nada”
Recentemente, indígenas de todo o estado ocuparam a sede da Funasa, em Rio Branco, por nove meses, para denunciar o abandono do setor por parte das autoridades. O MPF investiga possíveis irregularidades na aplicação das verbas.
De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.
19/01/12
