“Livro que abre espaço aos que não têm voz” inaugura selo de mídia alternativa
"Latifúndio Midiota: Crises, Crimes e Trapaças", do jornalista Leonardo Severo, abre publicações do Centro de Estudos Barão de Itararé. O lançamento ocorre durante o Fórum Social Temático, nesta sexta-feira (27), às 18h na Tenda das Centrais Sindicais, em Porto Alegre (RS).
(5’49” / 1.33 Mb) - A crítica à manipulação da sociedade feita pelos grandes meios de comunicação e o papel democrático que cumpre o jornalismo alternativo. Com o debate sobre essa dupla face da mídia, o jornalista Leonardo Severo lança seu novo livro. Sob o título, Latifúndio Midiota: Crises, Crimes e Trapaças, a obra traz artigos e matérias nacionais e internacionais sobre temas da luta dos trabalhadores e movimentos sociais.
Com extensa trajetória no jornalismo de resistência, Leonardo é redator do jornal Hora do Povo, assessor na área de comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de colaborador do jornal Brasil de Fato. A obra inaugura o selo do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.
O lançamento ocorre durante o Fórum Social Temático, nesta sexta-feira (27), às 18h na Tenda das Centrais Sindicais, em Porto Alegre (RS). Outro lançamento está marcado para o dia 7 de fevereiro, na cidade de São Paulo (SP), a partir das 18:30, na Livraria Martins Fontes (Av. Paulista, 509). O livro pode ser adquirido pelo valor de R$ 20 nas livrarias ou pela internet.
Como Leonardo salienta, sua obra é acima de tudo um livro militante, comprometido com a defesa do Brasil, de seu povo e da classe trabalhadora.
Radioagência NP: Leonardo, você poderia fazer uma breve apresentação do que os leitores irão encontrar no seu livro Latifúndio Midiota?
Leonardo Severo: Latifúndio Midiota é um livro que faz uma reflexão sobre os descaminhos e a manipulação da mídia em nosso país. São conglomerados de comunicação que imprimem no inconsciente coletivo uma visão deformada do mundo. Na nossa visão, jogam para cultuar valores egocêntricos e individualistas, banalizando a violência, a mulher e as relações sociais, no sentido de manter a dominação de uma casta – que é o setor financeiro ao qual ela serve. Então, Latifúndio Midiota reúne artigos publicados sobre Venezuela, Bolívia, Cuba, Paraguai e sobre o próprio Brasil, na construção de uma postura mais social e coletivista.
Radioagência NP: O que na sua experiência como jornalista o levou até a construção dessa obra?
LS: A minha experiência indica que esses artigos que foram publicados na internet mereciam ser melhor trabalhados e debatidos. E que nesse momento de discussão do novo marco regulatório da comunicação era uma oportunidade para debater determinados temas. O livro dialoga com a necessidade de nós fortalecermos o papel protagônico do Estado – na indução ao desenvolvimento, no estímulo à empresa nacional, ao emprego e ao fortalecimento dos salários. Com isso, nós damos visibilidade a análises críticas que não aparecem nos meios de comunicação da grande mídia. O livro é uma forma que eu encontrei de sistematizar essa denúncia e de fazer uma conclamação. É um livro militante.
Radioagência NP: Qual dos artigos e matérias você destacaria como representativo do livro?
LS: Um dos artigos que eu gosto muito é um que eu sistematizei uma visita que eu fiz à Palestina em 2001, onde eu me encontrei com o presidente Arafat. Na época a ministra de educação superior palestina, Hanan Ashrawi, falava que as principais vítimas das balas de aço revestidas com borracha dos israelenses eram os olhos das crianças palestinas. O livro traz fotos dessas balas, do que elas faziam no cérebro das crianças. Era uma coisa bastante cínica, que era para cegar e não matar. Isso era o resultado da segunda Intifada do levante popular árabe-palestino. Essa é uma das reportagens que eu acho que dá bastante visibilidade a um tema que é totalmente manipulado pelos grandes meios de comunicação.
Radioagência NP: Você poderia relatar também alguma matéria brasileira presente no livro?
LS: Uma matéria que nós fizemos sobre o Marcos Antonio Pedro, que foi um indígena de etnia Terena, na cidade de Sidrolândia, no interior do Mato Grosso do Sul, onde ele foi literalmente moído dentro de um frigorífico avícola da multinacional Cargil. Esse trabalhador foi acusado de ter se suicidado. Ele caiu [em uma máquina] porque não havia as mínimas condições de segurança. A empresa de uma hora para outra modificou todo o local do crime. Quando ele cai, nós temos relatos que disseram “bom, vamos abrir por baixo [do equipamento] para tentar socorrê-lo”, e o fiscal da empresa disse “não, porque isso vai parar a produção”. A partir disso, nós nos dirigimos até a aldeia de onde ele era proveniente. Conseguimos reconstituir as últimas horas [de vida dele] e comprovar que na verdade Marcos tinha um grande apego pela vida. Conversei com a companheira dele, com as filhas. Então, eu tenho um orgulho muito grande do livro porque procura abrir espaço aos que não têm voz.
De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.
27/01/12
