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Metroferroviários querem 2% do PIB para o transporte público

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Para conhecer as reivindicações da greve dos trabalhadores do Metrô de São Paulo, a Radioagência NP entrevistou o diretor executivo do Sindicato dos Metroviários, Alexandre Carvalho Leme. Ele falou sobre os problemas da privatização do transporte público e da campanha dos metroferroviários para que 2% do PIB seja investido em transporte.

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(6’19” / 1.45 Mb) - Estações cheias de pessoas, superlotação dos vagões, atraso de ônibus, trânsito caótico e muita irritação que fazem parte do cotidiano da cidade de São Paulo, aumentaram ainda mais na última quarta-feira (23). A falta de abertura da empresa Metrô para negociar as reivindicações de seus trabalhadores acarretou  em greve da categoria.

A paralisação, iniciada à 0h e encerrada no final da tarde do mesmo dia, atingiu parcialmente os serviços de transporte público do Metrô. Trabalhadores de duas linhas da CPTM também paralisaram neste dia.

Para conhecer as reivindicações da greve dos trabalhadores do Metrô de São Paulo, a Radioagência NP entrevistou o diretor executivo do Sindicato dos Metroviários, Alexandre Carvalho Leme. Ele falou sobre os problemas da privatização do transporte público e da campanha dos metroferroviários para que 2% do Produto Interno Bruto (PIB) seja investido em transporte no país.

Radioagência NP: Alexandre, qual a principal pauta da greve dos metroviários? Está ligada com a Campanha Salarial?

Alexandre Carvalho Leme: Além da reposição da inflação, um aumento real [dos salários]. De um ano pra cá, houve um aumento do número de usuários em relação ao número de trabalhadores de 14,99%. Então há uma superlotação hoje no Metrô e não tem tido a contratação de novos funcionários, e isso tem levado a uma sobrecarga de trabalho bastante grande. Nós estamos pedindo um aumento real da empresa correspondente a esses 14,99%. E nós estamos pedindo mais recursos do Metrô para o plano de saúde e também ajuda para o aposentado. Enquanto os trabalhadores colocam 2% dos seus salários para ajudar os aposentados, o Metrô coloca zero; então nós estamos pedindo que ele coloque também 2% da folha de pagamento para ajudar os aposentados. E nós estamos pedindo que o Metrô mantenha a jornada de 36 horas.

Radioagência NP: Quais são as outras reivindicações?

ACL: Outra reivindicação tem a ver com o problema da participação nos lucros e resultados. Até 2007, a divisão do bolo da participação no resultado era igualitária entre todos os trabalhadores. De 2007 para cá, o Metrô começou a adotar uma política de divisão proporcional ao salário. Quem ganha mais – a direção da empresa, chefe de departamento, etc. – ganha proporcional ao seu salário, enquanto o trabalhador que ganha pouco salário o ano inteiro na participação do resultado também ganha muito pouco hoje em dia. Então, nós estamos querendo que se retome a política de divisão igualitária. A outra pauta colocada é a presença de operador de trem em todos os trens, pois está havendo uma mudança no sistema de condução do Metrô, que está adotando um sistema sem operador de trem, como é na Linha 4 (Amarela) que é privada. O acidente que ocorreu na Linha 3 (Vermelha) mostra a importância da presença do operador de trem.

Radioagência NP: Gostaria que você comentasse sobre a campanha que pede 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para o transporte público.

ACL: Essa é uma campanha nacional com todos os sindicatos de metroferroviários. O país, hoje, investe em torno de 0,9% do PIB em todo o transporte. Houve nas últimas décadas uma mudança na matriz de transporte de ferroviária, como era 30 ou 40 anos atrás, para rodoviário. O que é um transporte muito mais caro, poluente, do ponto de vista estrutural tem uma estrutura custosa, não é mais caro só no transporte. E isso tem a ver com a indústria automobilística. Nós estamos em uma campanha nacional para investir 2% do PIB no transporte, e que 1,6% seja metroferroviário. Porque isso resolveria boa parte da crise de congestionamento dos grandes centros e também possibilitaria um transporte muito mais barato da população entre cidades.

Radioagência NP: O que o processo de privatizações causou ao transporte no país?

ACL: Da época de [presidência de] Fernando Henrique Cardoso para cá, que privatizou todo o sistema ferroviário; na época da privatização tinha 38 mil quilômetros de ferrovia, e hoje somente 10 mil quilômetros são utilizados. Porque as empresas que compraram, acabaram com todo o transporte de passageiros ferroviário, praticamente só existem metrôs nas cidades. E mesmo no transporte de cargas ferroviário também foram extintos vários canais.

Radioagência NP: Qual o impacto dessa privatização para os cidadãos das grandes cidades, como São Paulo?

ACL: Há uma necessidade de que haja subsídio do Estado no transporte público, porque o transporte é uma estrutura muito cara. Por outro lado, o transporte hoje nas cidades modernas é uma condição de vida, assim como o uso da água ou saúde, todo o serviço público. A privatização, evidentemente, visa o lucro; quando a empresa compra o sistema de transporte visa a lucratividade e não o serviço público. Então, há uma necessidade, primeiro, de que o transporte seja estatal, que seja de fato um serviço público. Segundo, que ele seja subsidiado para que possa ter uma tarifa barata. Por exemplo, a tarifa do Metrô de São Paulo é das mais caras do país, do mundo inclusive. Grandes metrôs do mundo, como Nova York (Estados Unidos), por exemplo, é subsidiado. Metrôs da Europa são subsidiados, Buenos Aires (Argentina) é subsidiados, Caracas (Venezuela) é subsidiado. O metrô de Buenos Aires, se não me engano, é 90 centavos. Não tem sentido o Metrô de São Paulo ser o que é: R$ 3 a tarifa.

De São Paulo, da Radioagência NP, Vivian Fernandes.

23/05/12