Trabalhadores cruzam os braços e param construção
(1'47'' / 422 Kb) - 12 mil trabalhadores da construção civil pararam as atividades na usina hidrelétrica de Santo Antônio, nesta terça-feira (22), em Porto Velho (RO). Eles exigem que as empresas cumpram imediatamente a pauta de reivindicação da categoria.
A pauta inclui condições mínimas e dignas de trabalho, como não trabalhar aos sábados, transporte de segurança e alimentação de qualidade. As péssimas condições de trabalho são impostas pelo consórcio Santo Antônio Energia, formado pelas empresas Odebrecht, Andrade Gutierrez, Furnas e Santander.
Os trabalhadores também reivindicam ganhar 30% de periculosidade em razão das condições de trabalho, como conta um trabalhador da obra, que não pode se identificar.
“Os trabalhadores não confiam nos cabos dos guindastes quando vão içar as estruturas. Se caso um desses cabos arrebentarem, cai a estrutura em cima dos trabalhadores. Isso já aconteceu. Caiu em cima de alguns trabalhadores da obra e essa notícia não vazou para a imprensa.”
Na última semana a queda dos materiais de construção resultou na morte de dois trabalhadores e deixou outro gravemente ferido. A situação inflamou a revolta de milhares de operários da usina, que pararam a construção. Eles ainda denunciam perseguições constantes dos encarregados da obra.
“Eu, fazendo esta declaração, caso alguém descubra o meu nome, corro o risco de ser despedido.”
A obra da usina faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal. Depois de pronta, a usina hidrelétrica deve render diariamente um lucro de R$ 4,5 milhões, equivalente a R$ 200 mil por hora.
De São Paulo, da Radioagência NP, Aline Scarso.
22/06/10
