Fábrica controlada por operários pode fechar
(1'46'' / 416 Kb) - Os trabalhadores da empresa Flaskô, localizada no município de Sumaré, no estado de São Paulo, lutam contra uma decisão judicial que determinou a paralisação das atividades. A falência foi determinada devido a uma dívida com fornecedor que, de acordo com os trabalhadores, não pretende fazer negociação.
A fábrica, que atua no ramo plástico e pertenceu ao Grupo Tigre foi tomada pelos trabalhadores em junho de 2003. Atualmente, os 62 funcionários recebem salário médio de R$ 1.5mil e o faturamento mensal subiu de R$ 40 mil para R$ 500 mil.
A gestão da empresa é feita pelo Conselho de Fábrica, eleito pelos trabalhadores, e as decisões mais importantes são adotadas por meio de assembleias. O advogado Alexandre Mandl, integrante do Conselho, aponta algumas das conquistas dos trabalhadores.
“Nós temos uma jornada de trabalho de 30 horas semanais sem redução de salário, o que proporciona uma qualidade de vida melhor para o trabalhador e para a própria organização da fábrica. Conseguimos não só manter o faturamento da fábrica, como aumentar.”
Mandl defende a privatização da empresa e revela que 90% das dívidas deixadas pelos antigos proprietários são referentes a encargos sociais e tributários.
“Tem um estudo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que diz ser possível transformar o débito existente da Flaskô com a Receita Federal em crédito. E isso seria por meio dessa estatização”.
Sob a gestão dos funcionários, a Flaskô criou a Vila Operária, com 300 moradias e um projeto que oferece oficinas culturais e esportivas para a comunidade. Nesta sexta-feira (16), às 13 horas, os trabalhadores realizam um ato na porta da fábrica, para pedir apoio popular.
De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.
15/07/10

Comentários
ESTATIZAÇÃO DE FÁBRICA
O CASO CITADO É UM BELO EXEMPLO DE COMO O IDEAL SOCIALSITA DOS MEIOS DE PRODUÇÃO CONTROLADOS PELOS PRODUTORES PODE BENEFICIAR TODOS OS ENVOLVIDOS, E NÃO APENAS O CAPITALISTA 'DONO' DA EMPRESA, COMO OCORRE NAS EMPRESAS PRIVADAS EM QUE A MÃO-DE-OBRA DOS TRABALAHDORES É EXPLORADA E O FRUTO DE SEU TRABALHO ROUBADO PELO PATRÃO.
O ESTRANHO É QUE QUANDO GRANDES EMPRESAS PRIVADAS ENTRAM EM CONCORDATA POR RISCO DE FALÊNCIA, O ESTADO FAZ TUDO PARA RECUPERÁ-LAS, MAS NO CASO DE UMA FÁBRICA CONTROLADA PELOS TRABALHADORES, JÁ SE PARTE DIRETAMENTE PARA SEU FECHAMENTO.
ALÉM DISSO, TEMOS DIVERSOS EXEMPOOS DE INICIATIVAS SEMELHANTES MUITO BEM SUCEDIDAS INCLUSIVE EM PAÍZES SULAMERICANOS, COMO A ARGENTINA.