Sem soberania alimentar, não há soberania energética
(2'04'' / 486 Kb) - Existem alternativas para a produção de agrocombustíveis que não passam pela exploração do solo e dos trabalhadores. Em um estado como o de Alagoas, ressuscitar o projeto da cana de açúcar, por exemplo, significa seguir o mesmo modelo: grandes extensões de terra, monocultura, enriquecimento dos usineiros e das transnacionais. É o que apontou o professor Cícero Adriano dos Santos, no debate sobre "Matriz Energética: potencialidades e desafios". Em um debate com 250 pessoas, no último dia 12, em Maceió, ele lembrou que existem diversas formas de priorizar a produção de energia a partir da pequena agricultura.
"Principalmente para os assentamentos da reforma agrária, que às vezes ficam em áreas declinosas, uma alternativa é a fruticultura, com espaçamento maior e nas entrelinhas culturas para a produção de bicombustível, como o amendoim, o girassol, a própria mandioca."
A representante dos movimentos sociais, Débora Nunes, lança a pergunta: "a energia produzida a partir da cana é uma energia limpa?" Do ponto de vista social, econômico e mesmo ambiental, da forma como é produzida hoje, Débora coloca que não. Ela afirma que não é possível produzir energia enquanto o povo passa fome.
"Não dá para gente pensar hoje a produção de energia a partir dos alimentos sem que a questão da soberania alimentar esteja resolvida. É preciso a soberania energética - e aí os agrocombustíveis cumprem papel importante, pelas vantagens do ponto da vista da preservação, de ser uma energia "limpa" - mas ligada à soberania alimentar.
O debate faz parte de uma série de atividades promovidas pelo jornal Brasil de Fato e pela Petrobras. Já aconteceram atividades em Fortaleza (CE), e Caruaru (PE). Montes Claros, em Minas Gerais, e Brasília serão as próximas cidades a sediarem o debate.
De São Paulo, para a Radioagência NP, Marcela Albuquerque.
14/0710
