Cidades já sentem efeitos negativos da expansão da Vale
(2'01'' / 477 Kb) - As comunidades do município de Carajás (PA) já começaram sofrer com os impactos das obras da mineradora Vale, que pretende dobrar a produção de minério de ferro até 2015 na região. Com investimentos previstos de U$ 11.3 (aproximadamente R$ 20 bilhões), serão duplicados mais de 600 quilômetros de ferrovia e ampliado um porto de embarque na cidade de São Luís (MA). Já existem impactos sociais como violência juvenil, assassinatos, conflitos urbanos, entre outros.
O integrante da coordenação da campanha Justiça nos Trilhos, Padre Dario Bossi, revela que somente na cidade de Marabá, que já é considerada uma das cinco mais violentas do país, serão aplicados U$ 2.8 (cerca de R$ 5 bilhões). Ele defende investimentos em medidas de amparo social
“Isso significa que o desenvolvimento acarreta consigo uma série de consequências que não estão sendo medidas nem controladas. Isso devido à falta de redistribuição dos lucros da mineração. Os lucros não estão sendo investidos nem aplicados suficientemente em medidas de amparo social nessas cidades que crescem.”
Bossi ainda afirma que as cidades não contam com infra-estrutura suficiente para atender aos trabalhadores que vêm de fora. Ele diz, também, que o avanço das áreas de mineração afeta a população local, que depende da terra para viver.
“São projetos de extração mineral que vão afetar muitos posseiros, muitos trabalhadores rurais. Muitas vezes, o processo de deslocamento desses povoados é imediato, drástico e não suficientemente compensado. A ampliação das minas vai gerar ainda mais conflitos.”
No último mês de maio, a ONU recebeu denúncias dos impactos e violações de direitos dos trabalhadores e populações locais em 30 países onde a Vale atua.
De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.
28/07/10
