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Nordeste concentra 54% dos conflitos por terra

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(1'59'' / 466 Kb) - O Nordeste concentrou 54% dos conflitos por terra ocorridos no Brasil, no primeiro semestre de 2010. Em relação a 2009, subiu de 158 para 194 o número de casos na região. Esses índices foram apontados nesta quarta-feira (01), no relatório parcial “Conflitos no Campo Brasil”, produzido pela Comissão Pastoral da Terra (CPT).

As demais regiões do país tiveram uma redução nos índices de violência. O integrante da coordenação nacional da CPT, Dirceu Fumagali, explica quais fatores contribuíram para que o Nordeste caminhasse na contramão.

“A velha pauta da reforma agrária não se realizou. Se na década de 1980 falávamos que o problema do Nordeste não é a seca, mas a cerca, então vem configurando-se isso. O maior problema do Nordeste ainda é a concentração da terra. E é, também, o local onde temos a maior concentração de camponeses sem terra.”

Embora tenha diminuído em relação ao ano passado, o trabalho escravo ainda apresenta números preocupantes. Em 2009, o Ministério Público do Trabalho libertou mais de 2.8 mil pessoas de situações degradantes. Em 2010, 1.668 trabalhadores foram libertados. Para Fumagali, houve uma modificação no perfil das atividades que mais empregam mão-de-obra escrava.

“Há algum tempo a pecuária era a área onde os trabalhadores rurais eram presa fácil para esse sistema de trabalho escravo. Mas hoje, principalmente no Sudeste e no Sul, onde mais se instala o monocultivo de eucalipto e pinho, é um espaço onde tem uma grande incidência de trabalho escravo.”

A CPT ainda informou  que os conflitos pela água cresceram em todas as regiões, com exceção do Norte. Muitas ocorrências  estão relacionadas à construção de barragens.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

01/09/10

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