Skip to Content

Diferenças entre Dilma e Serra

warning: Parameter 2 to genericplayers_swftools_flashvars() expected to be a reference, value given in /data/ranp/public_html/includes/module.inc on line 476.

Está faltando algum conteúdo do Flash que deveria aparecer aqui. Talvez seu navegador não possa exibi-lo. Instale a última versão do Flash em seu computador, ou atualize sua versão.

Cesar Sanson

(6'17'' / 1,44 Mb) - A eleição de 2010 lembra em muito as eleições de 1989 no ponto de vista político é mais pobre. Ficamos com o jogo pesado do submundo político - boatarias, intrigas, difamação, mentiras e falta de política. Portanto, as diferenças entre PT e PSDB e Dilma e Serra são iguais? É evidente que não.

PT e PSDB já guardaram maiores diferenças entre si, aproximaram-se programaticamente em muitos aspectos, realizaram “mea culpa” por supostos "equívocos" ideológicos e passaram a se engalfinhar muito mais pela disputa pelo poder do que por ideias. É um engano, porém, considerá-los iguais. As suas histórias são distintas.

O PT "cresceu" com sua imagem colada ao social. O PSDB, por sua vez, com uma imagem associada ao mercado. O PT constituiu-se como o grande partido da oposição ao modelo neoliberal dos anos 90, mesmo que depois tenha aderido a teses que contestava. Já o PSDB, como o implementador desse projeto. Apesar da diluição programática dos partidos, políticas de aliança também guardam diferenças. É particularmente importante registrar que o PSDB sempre teve como parceiro estratégico a direita mais ideológica do Brasil, hoje representada pelo DEM, que um dia foi PFL, que foi PDS que substituiu a ARENA que substituiu a UDN.

O PSDB que se intitula portador dos valores republicanos e da moderna social-democracia não pode omitir que ao longo de sua história uniu-se ao que há de mais retrógrado na política nacional – ao legado do coronelismo, do mandonismo e clientelismo. Hoje o DEM constitui-se num dos partidos mais ideológicos do país e defendem abertamente os interesses do mercado financeiro internacional, as privatizações e o agronegócio. Ainda mais, são ferrenhos opositores de programas sociais como o Bolsa-Família, o Pró-Uni, as políticas de cotas, a reforma agrária, etc.

Por outro lado, porém, o PT também tem a sua versão pragmática nas alianças representadas pelo PMDB. DEM e PMDB em seus respectivos momentos de partilha do poder arrancam o que podem – cargos e recursos – para dar sustentação política aos "titulares" do poder.

A história de PT e PSDB, a origem dos seus quadros políticos, suas respectivas "inserções" sociais, as experiências de governo e as alianças que praticam se revelam por um lado similitudes, por outro, manifestam também o conteúdo de suas diferenças. Destacam-se, entre outras, as seguintes diferenças entre o PT e o PSDB e poder-se-ia dizer entre Dima Rousseff e José Serra: a concepção de Estado, a política externa, a relação com o movimento social.

A forma de pensar o papel do Estado não é rigorosamente a mesma entre PT e PSDB. Embora o PSDB procure ocultar a sua história, o seu programa e as suas experiências de governo dão ao Estado um lugar menor. O PSDB flerta mais com o mercado do que com o Estado.  Basta lembrar aqui o desmonte da Era Vargas promovido pela Era FHC.

Outro conteúdo programático que distingue a candidatura Serra e Dilma é a política externa. O governo Lula reposicionou o Brasil na geopolítica mundial. Se no governo anterior a presença do Brasil no exterior era raquítica, assiste-se agora a elevação do Brasil à condição de potência no cenário internacional em suas faces política e de mercado – a transformação do país em um global player.

A política externa brasileira no governo do PT mudou substancialmente de rota em relação ao governo anterior do PSDB. O Brasil passou a adotar uma forte estratégia de fortalecimento da integração latino-americana e foi um dos grandes articuladores da criação do G-20 em 2003, como forma de conter a pressão dos países ricos na Organização Mundial do Comércio (OMC). Ao mesmo tempo, foi decisivo para a constituição do G-3 (Ibas) – formado por Índia, Brasil e África do Sul. Regionalmente, colocou em marcha o fortalecimento do Mercosul  e esteve à frente na implosão da ALCA, comprando uma briga iniciada pelos movimentos sociais.

O candidato do PSDB, por sua vez, tem feito comentários que desautorizam as relações políticas e econômicas construídas pelo governo Lula, particularmente na América Latina. Recentemente, Serra acusou o governo Evo Morales de "corpo mole" e de "cumplicidade" com o tráfico de cocaína na fronteira com o Brasil. Serra também se referiu a Chávez como uma ameaça à paz regional. As afirmações dão a entender que o PSDB é favorável a uma reaproximação política mais intensa com os Estados Unidos.

É na relação com o movimento social, porém, que se configuram as diferenças mais significativas entre PT e PSDB.

O PSDB tem um histórico de difícil relação com o movimento social (sindicatos, MST, movimentos populares), basta ter presente os mandatos de FHC na presidência e o mandato de Serra como governador em São Paulo. O PSDB seria mais duro e inflexível nas questões que envolvem tratamento com o movimento social, razão pela qual as relações seriam tensionadas. As chances das manifestações sociais serem tratadas com repressão aumentam num governo tucano.

Um possível governo Dilma tende a seguir o padrão Lula? É difícil responder. Talvez em função de que não tenha a história e o carisma de Lula, Dilma terá que dialogar mais com os movimentos sociais. De qualquer forma o diálogo é a essência da diferença entre Dilma e Serra. No governo do PT o diálogo deve fluir, já no governo do PSDB, deve travar.

Pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores e doutor em sociologia pela UFPR.

22/10/10

Comentários

lucidez.

Parabéns pelo artigo. Sou petista e devo admitir que há muita lucidez. É por isso que temos divergências (e por isso correntes) internas e com o governo.
Mas é isso mesmo, seguir mudando e mudando.