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Debate religioso mostra falta de projeto, diz Leonardo Boff

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(2'02” / 480 Kb) Um dos principais nomes da Teologia da Libertação Frei Leonardo Boff, criticou o uso da questão religiosa nas eleições presidenciais, por parte da mídia e da candidatura de José Serra, do PSDB/DEM.

Boff condena o uso ideológico de questões ligadas à religião como forma de manipular a população. De acordo com ele, os setores reacionários da sociedade adotam este recurso devido à falta de projetos.

 “Não tinha projeto alternativo a apresentar a população. Então falou às classes humildes, populares, naqueles temas em que ela é muito sensível, que é o tema da religião e o tema da moral, mas falou de tal maneira instrumentalizando o ódio e a divisão, a acusação, de tal forma que o povo ficou confuso.”

Porém, o religioso acredita que esse recurso tem um limite, uma vez que vai contra o princípio das religiões, que não pode ser instrumentalizada.

 “Creio que isso é uma forma anti-democrática, que vai contra a essência mesma da religião, porque a religião não é feita para decidir eleições. Porque a religião não tem a ver com uma parte de onde vem os partidos, tem a ver o todo.”

Nos últimos anos, na visão de Boff, foi retomada uma dimensão pública do Estado brasileiro, 50 milhões de pessoas foram resgatadas da pobreza e houve avanços na relação com os países da América Latina. Agora, o Frei avalia que uma mulher candidata trará um salto qualitativo no governo. Além disso, Boff pediu a militância ativa da população pela política que considera favorável ao povo.

“O PSDB nunca teve políticas substantivas para o povo, eles não têm sensibilidade para o pobre, deixam o pobre na marginalidade, fora da cidadania. E não só, eles têm raiva dos pobres, eles toleram o pobre silencioso, mas tem pavor do pobre que fala, que pensa e que decide.”

De São Paulo, para a Radioagência NP, Pedro Carrano.

25/10/10