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Assassinato de Bin Laden é peça publicitária para eleições nos EUA, diz historiadora

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(6’49” / 1.56 Mb) - Uma pesquisa de opinião realizada após o anúncio da morte de Osama Bin Laden indicou um crescimento de 11% da popularidade do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. O líder da rede Al Qaeda se tornou o homem mais procurado do mundo após assumir a autoria dos atentados que vitimaram cerca de três mil pessoas em 11 de setembro de 2001.

A professora Maria Aparecida Aquino, do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP), em entrevista à Radioagência NP, classifica a ação militar dos EUA como execução sumária e acredita se tratar de uma “peça eleitoreira”. Ela lembra que até mesmo os criminosos nazistas tiveram direito a um julgamento ao serem submetidos ao Tribunal de Nuremberg (1945-1946), na Alemanha.

Além de violar o direito de defesa, as decisões de Washington desrespeitaram a soberania do Paquistão ao determinar a invasão do espaço aéreo e terrestre sem o consentimento das autoridades do país. A professora condena as práticas de tortura que indicaram a localização do esconderijo e avalia que, no plano geopolítico, os EUA se comportam como se estivessem no faroeste.

Radioagência NP: Professora, como a senhora avalia a ação militar que resultou na morte de Osama Bin Laden?

Maria Aparecida Aquino: É um assassinato sumário. E ninguém, principalmente no plano das relações internacionais, tem direito disso. Então, está se criando uma situação em relação ao Paquistão extremamente grave. Porque não ocorreu simplesmente a morte de um indivíduo que naquele momento não tinha defesa, sem direito a um julgamento. Ocorreu ainda a invasão do espaço aéreo e do espaço terrestre de outro país. O Paquistão agora afirma com todas as letras que não tinha conhecimento algum. Afinal de contas, se o presidente dos Estados Unidos vai a público e mente para o mundo inteiro, isso é tão grave, tão sério.

RNP: A narrativa oficial é uma peça publicitária para as eleições presidenciais do próximo ano?

MAA: O presidente George W. Bush, quando se elegeu pela primeira vez, era colocado em dúvida se ele de fato teria vencido porque parece que teria ocorrido alguma fraude eleitoral. Aí, veio o 11 de Setembro de 2001. Por conta disso, ele não só ganha legitimidade, como consegue se reeleger. Eu lamento tentar fazer qualquer comparação, é muito grave chegarmos a esse ponto, mas o presidente Obama estava com a popularidade em baixa e de lá [morte do Bin Laden] para cá a popularidade dele subiu. Então, passa também a ser considerado como uma peça eleitoreira.

RNP: Como os EUA deveriam ter agido?

MAA: Em qualquer situação democrática, se tem alguém que cometeu um crime, você não executa essa pessoa, você a submete a um Tribunal. Por mais criminosos que os nazistas foram, eles foram submetidos ao Tribunal de Nuremberg. O mundo inteiro assistiu ao julgamento. Houve um julgamento. O próprio Adolf Eichmann [diretor do Escritório de Assuntos Judeus do regime nazista de Adolf Hitler], considerado um dos maiores criminosos nazistas, quando foi recuperado – digamos sequestrado – pelo comando israelense na Argentina, foi julgado em Israel.

RNP: O presidente Obama declarou que “a justiça foi feita”. Comente.

MAA: É a justiça do saloon. Eu sempre vejo faroeste com aquele barzinho onde todos se reúnem – bandidos e não bandidos. Eu vejo passar o cara armado (os Estados Unidos estão sempre armados, é uma sociedade militarizada, onde todos têm armas). Então, eu vejo passar o sujeito armado e a portinha vai e vem. De repente, duas pessoas se estranham e um atira no outro e fica por isso mesmo. Os Estados Unidos vivem a justiça do saloon. E não é assim. Nós estamos num mundo que tem outras regras civilizatórias

RNP: Como o mundo recebeu a notícia da morte de Bin Laden?

MAA: Fica para trás o crime que ele – não sozinho, mas a Al Qaeda – teria cometido. Extremamente grave. O mundo inteiro se condoeu. Todo mundo dá direito de justiça às vitimas. Ninguém diz que a Al Qaeda estava correta, mas a maneira como os EUA agiram faz com que você esqueça o terror que foi o 11 de Setembro e passe a pensar no terror que foi instaurado agora. Quando eles dizem “o mundo está mais seguro”, seguro para quem? Quem é que está mais seguro agora?

RNP: Qual sua avaliação sobre o fato do corpo ter sido jogado no mar?

MMA: É necessário que se tenha o corpo, com todas as condições que se possa imaginar. E não estou nem falando de não terem obedecido à regra Mulçumana, não estou entrando nesse detalhe. A coisa mais absurda que existe é você imaginar que o corpo foi jogado no mar. Que justificativa tem para isso? Foi tudo coordenado de forma a deixar mais dúvidas do que esclarecimentos. O país que se diz guardião da democracia quebrou todas as regras democráticas.

RNP: As informações sobre a localização do esconderijo foram obtidas mediante tortura. Isso é um agravante?

MMA: Já foi exibido inúmeras vezes o que acontece em Guantánamo [Cuba] e causa horror em todas as pessoas. Todos os países que viveram a experiência da tortura sabem como é terrível se libertar desse mal. E também não se tem muita ideia, quando você vive num ambiente como esse que permite a tortura, como isso está destruindo a própria população. Se você permite a tortura, você diminui como ser humano e como civilização. Não interessa se você está torturando uma pessoa que é criminosa. Nenhuma Constituição do mundo – democrática – admite a tortura.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

05/05/11

Comentários

Bin Laden

Maria Aparecida Aquino, me parece que o diabo e os USA são a mesma coisa para a senhora.
As análises sobre o ocorrido desde o ataque às torres gêmeas, até a morte de Bin Laden deverão esperar um bom tempo até serem avalizadas. Se a sra. é historiadora, espere um tempo antes de anunciar suas idéias.
Já pensou no que pensa a população do Brasil?
Fez pesquisas?
Já pensou no que pensa a população do planeta?
Fez pesquisas?
Seja uma historiadora. Não seja tendenciosa.
Visões fracas sobre assuntos relevantes são normais.
Estude mais o assunto. Estude mais a populacão do planeta.