Skip to Content

Programa 4 - Os dois lados da mesma moeda

  • strict warning: Non-static method view::load() should not be called statically in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/views.module on line 906.
  • strict warning: Declaration of views_handler_argument::init() should be compatible with views_handler::init(&$view, $options) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/handlers/views_handler_argument.inc on line 744.
  • strict warning: Declaration of views_plugin_row::options_validate() should be compatible with views_plugin::options_validate(&$form, &$form_state) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/plugins/views_plugin_row.inc on line 134.
  • strict warning: Declaration of views_plugin_row::options_submit() should be compatible with views_plugin::options_submit(&$form, &$form_state) in /data_cpro6462/ranp/public_html/sites/all/modules/views/plugins/views_plugin_row.inc on line 134.

Clique aqui para ouvir (9´04´´ / 2,7 Mb) - A discussão sobre o modelo de agricultura mais viável para o Brasil nos remete a diversos temas de aspectos econômicos, sociais e ambientais. O modelo agroecológico exclui das práticas de plantio o uso de agrotóxicos e transgênicos, enquanto que o pacote tecnológico vendido pelas transnacionais de biotecnologia une estes dois elementos e a cada dia ganha mais poder no mercado e na política. Neste sentido, a discussão sobre os transgênicos é a pauta do dia para as grandes empresas. Enquanto pesquisadores investem na divulgação dos benefícios das sementes geneticamente modificadas, entidades ambientalistas e movimentos sociais do campo exigem do Estado brasileiro uma melhor avaliação e mais pesquisas sobre os impactos destas plantações e também deste consumo.

Em entrevista à Radioagência NP, Alda Lerayer, Diretora-Executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), uma Organização Não-Governamental (ONG) formada pelas grandes empresas de biotecnologia, e a assessora jurídica da ONG Terra de Direitos, Maria Rita Reis aprofundam este debate. As entidades representam diferentes posições com relação aos organismos geneticamente modificados.

A seguir, você confere as opiniões do CIB e da Terra de Direitos com relação a três aspectos mais relevantes quando se fala em transgênicos.

Modelo econômico e custos com o plantio

Alda Lerayer, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia: é uma tecnologia que veio trazer muitos benefícios, sobretudo para quem tem pouco dinheiro. Porque é uma tecnologia na semente. Ele tem uma produtividade maior porque ele tem menos perdas na lavoura, ela diminui as perdas causadas pelo ataque de insetos, ou diminui as perdas com a competição com o mato que cresce junto com a planta. Há uma vantagem na redução de custos na produção para o agricultor porque ele usa menos agroquímicos. E é uma tecnologia mais limpa para o meio ambiente, justamente porque você reduz a quantidade de produto químico e você reduz com isso o risco de intoxicação dos agricultores, dos trabalhadores rurais. Estas são as principais vantagens para os agricultores.

Maria Rita Reis, da Terra de Direitos: A argumentação de que os transgênicos vão ajudar quem tem menos dinheiro é absolutamente absurda. Primeiro porque as sementes são mais caras, e depois porque elas fazem parte de um padrão tecnológico que encarece a produção. O agricultor ao invés de privilegiar técnicas de manejo que levem à independência dos insumos produzidos pelas indústrias de biotecnologia, ele vai aprofundar esta dependência. Porque a semente transgênica combina com uma série de outros produtos desenvolvidos pelas empresas. Por exemplo, a soja transgênica da Monsanto é desenvolvida para aperfeiçoar a utilização do Roundup, que é o agrotóxico de propriedade desta empresa. Então, esta tecnologia por si só, aprofunda a dependência. Então o argumento de que os transgênicos são melhores para quem tem pouco dinheiro, é absolutamente fantasioso.

Saúde humana

Alda Lerayer, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia: esta é uma outra mentira. Uma mentira deslavada. E cada vez eles vão poder usar mesmo estas mentiras. Esta historinha que foi criada para assustar as pessoas. Primeiro, um transgênico quando é desenvolvido demora de oito a dez anos para ser colocado no mercado, nos outros anos todos são feitos estudos de campo e de biossegurança. Impacto ambiental e biossegurança alimentar e animal. Então você tem que provar por protocolos muito extensos que são feitos pela Organização Mundial de Saúde. Então é uma irresponsabilidade muito grande e uma má fé, quer dizer, querer enganar as pessoas, dizer que um transgênico não é seguro para a saúde humana.

Maria Rita, da Terra de Direitos: O que a sociedade exige em relação aos transgênicos e a indústria de biotecnologia insiste em não fazer são os estudos sobre a segurança alimentar. O problema é que as indústrias de biotecnologia e algumas ongs como o CIB, que são vinculadas à estas indústrias de biotecnologia, defendem um princípio que chama equivalente substancial, ou seja, que um transgênico é exatamente igual à uma planta convencional. Isso é um absurdo do ponto de vista científico.Tanto é mentira que os transgênicos são equivalentes às plantas convencionais é que as empresas já foram obrigadas, em alguns casos, à não comercializarem determinados produtos porque ficou comprovada o impacto na saúde humana e animal. Não dá para aceitar que as indústrias decidam optar por algum tipo de tecnologia, que é impactante, condiciona o mercado à introdução destas tecnologias, então tem que fazer os estudos adequados. A gente tem o direito que os produtos introduzidos para comercialização, para consumo e no meio ambiente sejam devidamente estudados.

Benefícios ou promessas?

Alda Lerayer, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia: pequenos agricultores, eles mais do que ninguém, necessitam de uma produtividade assegurada. Este produtor, se ele tem uma tecnologia melhor, ele vai optar pela melhor. Porque ele vai ter uma planta que é resistente ao inseto, então o custo de produção dele vai ficar menor, compensa ele pagar pela tecnologia que ele está adquirindo. Os agricultores da maioria dos países que tem área cultivável e tem clima estas culturas que até agora estão no mercado internacional, que foram produzidas e são seguras para alimentação humana e animal e para o meio ambiente, todos eles estão adotando cada vez mais esta tecnologia. Então o agricultor tem que ter o direito da escolha. Pra todos os agricultores dos países desenvolvidos, que são muito mais ligados e preocupados com o meio ambiente, eles dizem que plantar o milho resistente à insetos na Europa é um ato ecológico, porque você polui menos o ambiente, você polui menos a atmosfera, você entrega um produto de boa qualidade para as pessoas comerem e para os animais também porque vai para a ração animal.

Maria Rita, da Terra de Direitos: A indústria de biotecnologia é mestra em fazer falsas promessas. A primeira grande falsa promessa foi de que seriam desenvolvidos alimentos transgênicos mais nutritivos. Se a gente for ver hoje, as sementes transgênicas são desenvolvidas para atender aos interesses da própria indústria de biotecnologia. Geralmente os transgênicos ou são resistentes a herbicidas, ou são inseticidas, para combinarem com o pacote tecnológico das empresas, e assim aprofundarem a dependência dos agricultores com relação à esta indústria, aprofundando também as conseqüências da Revolução Verde. A segunda falsa promessa diz respeito à produtividade das sementes transgênicas. Foi feito um estudo aqui no estado do Paraná, e se observou que a soja convencional tem uma produtividade cerca de 10% maior do que a soja transgênica. O outro problema é que a indústria de biotecnologia segue sendo extremamente concentrada. Todos os organismos são passíveis de serem patenteados e isso aumentou muito a concentração no mercado de sementes. O exemplo mais marcante com relação à isso é que atualmente 90% da sementes de soja que são plantadas são de propriedade da Monsanto. Isso tem um impacto econômico, a medida que você entrega o controle de uma parcela muito significativa do mercado para uma única empresa, aumentando o monopólio.

Neste programa você ouviu as entrevistas com Alda Lerayer, do Conselho de Informações sobre Biotecnologia e com Maria Rita Reis, da Terra de Direitos, a respeito do debate sobre as vantagens e desvantagens das plantações geneticamente modificadas, as transgênicas.