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CPMI: Sociedade civil e parlamentares repudiam aprovação de relatório ruralista

(1´48´´ / 422 Kb) - A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra aprovou, nesta terça-feira (29), o relatório alternativo do deputado Abelardo Lupion (PFL/PR) e recusou, por 13 votos a oito, o texto original, apresentado pelo relator João Alfredo (PSOL/CE). No mesmo dia, pistoleiros assassinaram o integrante da direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Alagoas, Jaelson Melquíades.

O relatório da Bancada Ruralista – como é chamado o grupo de parlamentares contrários à reforma agrária – propõe, entre outras questões, a criminalização dos movimentos sociais, com um projeto de lei que define como crime hediondo a ocupação de terras. Mesmo aprovados, os projetos ainda serão avaliados na Câmara e no Senado.

Segundo a deputada federal Luci Choinacki (PT/SC), “nunca se esperou que uma CPMI dessa importância terminasse com um relatório com uma visão tão atrasada, que mostra a face mais cruel do latifúndio no Brasil”. Já o Cientista Político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Emir Sader, manifestou-se nesta quarta-feira (30) através de um artigo, em que chama de “Hedionda a CPI da Terra, que se colocou a serviço dos massacres de trabalhadores rurais, em vez de apurar e dizer para toda a sociedade brasileira por quê não se fez reforma agrária até hoje no Brasil”.

Em nota, o MST destacou que “o Movimento repudia as posições apresentadas no relatório aprovado e reafirma seu compromisso de continuar sua luta para que as mais de 4,8 milhões de famílias Sem Terra (ligadas ao movimento) tenham acesso à Reforma Agrária”.

O relatório oficial da CPMI, do deputado João Alfredo, apontou uma enorme concentração de terras no país (cerca de 1,5% dos grandes proprietários rurais possuem quase 47% da área total existente), além do aumento da violência no campo que vitimou quase 1.500 trabalhadores e pessoas ligadas à reforma agrária nos últimos dez anos.

De Brasília, da Agência Notícias do Planalto, Sofia Prestes.