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O Massacre

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(7'27'' / 1,70 Mb) - No dia 20 de Novembro de 2004, o fazendeiro Adriano Chafik mais 17 homens fortemente armados entraram no acampamento Terra Prometida. Ao que tudo indica, a ação foi mais do que planejada.

O fazendeiro Adriano Chafik e os pistoleiros chegaram ao local no final da manhã, por volta de umas 11h, momento em que os acampados realizavam uma reunião rotineira. Os jagunços soltaram um rojão – este era o sinal usado entre os trabalhadores quando queriam reunir todos do acampamento em um determinado local.

A acampada Dona Zilene foi umas das pessoas que escutou o estouro dos rojões. Fato que a fez se dirigir até o local para ver o que se passava. Ela conta o que aconteceu a partir de então:

“Eu tinha levantado cedo e fui botar a massa na prensa para fazer farinha, foi quando escutei o foguete. Achei que fosse os nossos [amigos que tinham lançado]. Quando chegamos, já veio um bandido segurando o seu Geraldinho [pessoa que fazia a guarda do acampamento] pela gola da camisa. Chegamos perto deles e dissemos: ‘nós queremos paz. Solta o nosso companheiro!’. Daí começou os disparos nos amigos que estavam na frente. Foi derrubando. Não pudemos fazer nada, pois metiam as armas em nós. Tornavam a derrubar outro. Meu esposo estava atrás de mim. Quando vi, um tiro acertou meu esposo que ficou lavado de sangue. Nessa hora eu não vi o meu menino. Quando chego em casa, vejo meu menino estirado, com um tiro na perna e o rosto correndo sangue. Não agüentei e não sabia o que fazer na hora.”

Eni é uma das líderes do acampamento que era seguidamente ameaçada de morte por Adriano e seus pistoleiros. Na hora do Massacre ela não estava no acampamento, mas conta o que viu logo chegou ao local:

“Quando eu cheguei na entrada do acampamento, vi o pessoal lá. Eu desci até o acampamento, cheguei e vi os cinco corpos caídos. O sangue estava escorrendo. A chuva lavava tudo, eu vi os barracos queimados. Eu achei que ali era o fim.”

Depois do confronto, os barracos e a escola do acampamento foram queimados pelos invasores.

Chafik foi preso no mês seguinte ao Massacre. Logo após ser detido, o advogado de Adriano Chafik deu entrevista à TV local. Ele alegou que o fazendeiro foi atacado e que agiu em legítima defesa.

Adriano Chakif, fazendeiro mandante e executor da chacina.“Em Jequitinhonha, o fazendeiro teria confessado a responsabilidade pelos crimes e disse que primeiro teria sido agredido com uma foice pelos sem-terra, dentro da Fazenda Nova Alegria.”
[jornalista] Ele tem a cicatriz da foiçada?
[advogado] Tem! Tem!
[jornalista] Ta na barriga dele?
[advogado] Na barriga não, no peito”

Dona Zilene, no entanto, afirma que a realidade ocorreu de forma diferente:

“O Adriano chegou e ficou distante. Aí ele falou com os pistoleiros que poderia derrubar quem eles quisessem. Mulher, criança, quem estivesse na frente. O Adriano nem chegou perto de nós. Ele falou na televisão que foi atingido por sem-terra. Como foi atingido por sem-terra, se ela estava há 20 metros dos sem-terra? É muita historia dele!”

Ao todo, vinte pessoas foram atingidas. Os cinco trabalhadores mortos foram: Iraquia Ferreira da Silva, 23 anos, morto com três tiros no peito; Miguel José dos Santos, 56 anos, morto com 13 tiros no peito e abdômen; Juvenal Jorge da Silva, 65 anos, morto com três tiros no peito e na barriga; Francisco Ferreira Nascimento, 72 anos, morto com cinco tiros no peito; Joaquim José dos Santos, 48 anos, oito tiros no peito e abdômen, chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital de Felisburgo.

O Massacre foi tema dos principais jornais locais, nacionais e internacionais. Horas após o Massacre, a cidade de Felisburgo foi tomada por políticos que garantiram que o fato não poderia ficar impune. Miguel Rossetto, o então ministro do Desenvolvimento Agrário, declarou que todos os esforços do governo federal seriam depositados para solucionar o caso:

“Trata-se de um crime absolutamente brutal e premeditado. Nesse momento, o governo federal e todas as nossas estruturas de segurança estão colaborando com as estruturas estaduais para responsabilizar os criminosos. A expectativa é que, em curto prazo, os responsáveis sejam identificados. Não nenhuma hipótese de impunidade frente casos como esse.”

Hoje, quatro anos após o Massacre, nada foi feito!

Novembro de 2008.

Texto e reportagem: Juliano Domingues.
Revisão: Danilo Augusto e Nina Fideles.
Locução: Desirèe Luíse, Juliano Domingues.
Vinhetas: Eduardo Sales e Bruno Guerra.
Sonoplastia: Adílson Oliveira, Jorge Mayer e Juliano Domingues
Arte: Vinicius Mansur.


Leia e ouça todos os programas da série especial "Massacre de Felisburgo":

Programa 1 - O Massacre

Programa 2 - A Situação Agrária

Programa 3 - O Julgamento

Programa 4 - A Situação Atual em Felisburgo

Programa 5 - Conflitos pela Terra no Brasil

Programa 6 - Perspectivas para o Campo Brasileiro