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A Situação Agrária

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(12'11'' / 2,79 Mb) - O quadro de desenvolvimento agrário e os conseqüentes problemas relacionados com a concentração fundiária no estado de Minas Gerais, não são diferentes do resto do Brasil. Dados do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) mostram que no estado são quinze mil famílias localizadas em 93 acampamentos. Deste total, mais de cinco mil estão em 44 fazendas ocupadas. Nas regiões do Vale do Mucuri e Jequitinhonha são mais de 1,2 mil distribuídas em oito fazendas ocupadas.

O integrante da Organização Não-Governamental ligada à Igreja Católica, a Cáritas, Samuel da Silva, dá um panorama de como aconteceu o desenvolvimento do processo fundiário da região:

 “Nossa região é caracterizada principalmente pelo latifúndio. Uma região profundamente marcada pelo domínio secular da terra, esse predomínio de enormes fazendas nas mãos de poucas pessoas. Um processo de degradação terrível da terra. Tivemos aqui o predomínio da pecuária extensiva, que chegou do estado da Bahia para cá. Há quase dois séculos nossa região sofre com isso: latifúndio, pecuária extensiva, concentração de terras, concentração de renda, expulsão, dizimação dos índios e depois a expulsão dos camponeses.”

A maior parte das famílias que ocuparam a fazenda de Adriano Chafik é constituída por pessoas que já tinham trabalhado para o fazendeiro. Como é o caso da viúva de um dos trabalhadores mortos, a dona Tereza. Ela conta qual era a postura do fazendeiro em relação aos seus funcionários:

Dona Tereza, viúva de trabalhador assassinado. “Eu morei dentro daquela fazenda durante 12 anos como agregado dele, do doutor Antônio Chafik, pai do Adriano, mas quem mandava era o Adriano. Daí ele foi só reduzindo o pessoal que trabalhava para ele, reduzindo os animais que a gente podia criar, até que chegou o dia em que ele disse que nós não poderíamos mais ficar ali na fazenda.”

Conversando com as famílias que estão acampadas é fácil notar que elas viveram sempre a mesma história. Pularam de terra em terra, trabalhando para fazendeiros por menos que um salário mínimo. Ronimarcos que é neto de Francisco Ferreira do Nascimento, também morto na chacina, conta como é a postura dos fazendeiros da região:

“É sempre assim com todos os fazendeiros da região. Eles colocam a pessoa para trabalhar lá [na fazenda]. Talvez o pobre chegue lá e diga que está sem emprego na cidade, e que está querendo arrumar um pedaço de terra para fazer uma roça. Daí acontece de alguém, no meio de dez fazendeiros, arrumar um pedaço de terra. A pessoa então trabalha ali poucos dias, mas eles dizem ‘ó, nós vamos ter que repartir a lavoura’, aí a pessoa vai lá e faz roça. Quando começa render frutos pela primeira vez, os fazendeiros expulsam os trabalhadores das terras.”

Novembro de 2008.


Texto e reportagem:
Juliano Domingues.
Revisão: Danilo Augusto e Nina Fideles.
Locução: Desirèe Luíse, Juliano Domingues.
Vinhetas: Eduardo Sales e Bruno Guerra.
Sonoplastia: Adílson Oliveira, Jorge Mayer e Juliano Domingues
Arte: Vinicius Mansur.


Leia e ouça todos os programas da série especial "Massacre de Felisburgo":

Programa 1 - O Massacre

Programa 2 - A Situação Agrária

Programa 3 - O Julgamento

Programa 4 - A Situação Atual em Felisburgo

Programa 5 - Conflitos pela Terra no Brasil

Programa 6 - Perspectivas para o Campo Brasileiro