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O Julgamento

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(6'28'' / 1,48 Mb) - Após o Massacre, os 17 pistoleiros mais o fazendeiro que participaram da chacina foram denunciados. Deste total, cinco estão prestes a serem julgados. Dentre eles estão, o próprio fazendeiro Adriano Chafik, o seu capataz mais próximo, conhecido como Washington e mais outros três jagunços.

Todas as provas agem contra Adriano Chafik. Além de o fazendeiro ter participado pessoalmente da chacina, as armas utilizadas na ação foram depois encontradas pela polícia dentro de uma das suas propriedades, próximo ao local do crime. Um dos promotores do caso, Afonso Henrique de Miranda, fala sobre o poder de fogo utilizado no episódio:

“Basta trabalhar o quantitativo. Foram contabilizados cinco mortos, ou seja, homicídios consumados, além de mais 12 homicídios tentados. Isso tudo com uma utilização de um verdadeiro arsenal e com homens que foram trazidos do sul da Bahia [pistoleiros contratados]. Estes números refletem a gravidade da situação em relação à quantidade de vítimas, a forma de execução das vítimas, e a organização desta milícia potentíssima.”

O fazendeiro utilizou-se do argumento que agiu em legítima defesa, afirmando que ao chegar no acampamento, foi atacado primeiro pelos sem terra. No entanto, Jorge, que é um dos acampados que estava presente na hora da chacina, nega que isso tenha acontecido:

“Isso é mentira. Eles vieram tão bem organizados que quando chegaram ali, tiveram um tempo rápido e eles vieram em duas filas. Na frente veio o Calixto, que era o primo de Adriano, com uma pistola grande aqui do lado assim, seguro. Cada um dos capagangas estava com duas espingardas, ou uma espingarda e uma pistola. Duas aramas, uma em cada mão. Alguns tinham outra arma pendura, tinha alguns que tinham três. E atrás, entre as duas fileiras, estava Adriano, com a arma também. Então, quando eles entraram aqui, o Adriano ficou sempre protegido. Quem chegou na frente eram os outros.”

Atualmente, o grande problema destacado pelo MST e pelos promotores Luiz Carlos e Afonso Henrique é onde será o julgamento do fazendeiro.

Os promotores lutam para que o julgamento não seja realizado na Comarca de Jequitinhonha, devido ao poder do fazendeiro, fato que pode influenciar a decisão dos jurados. A própria juíza que na época era responsável pelo caso, concordou com a decisão. O promotor Luiz Carlos especifica os motivos para o desforamento do julgamento de Adriano Chafik:

“Os fatores preponderantes nesta postura da sociedade local é a predominância econômica. O poder econômico do fazendeiro - Adriano Chafik - um homem extremamente influente, cuja atividade de agropecuária tem uma predominância muito grande na economia daquela região e até mesmo na composição de alguns setores que governam o município, poder legislativo local e o governo executivo local. E a comunidade local é pequena e alguns seguimentos mais predominantes da região guardam preconceitos em relação à atuação dos movimentos sociais. Notadamente os de luta pela reforma agrária.”

De acordo com Luiz Carlos, as chances de Adriano Chafik ser inocentado são remotas e caberá a sociedade decidir. Pois ele será julgado por um júri popular:

“Nós não acreditamos que a sociedade vá ser insensível ao fato, a um crime que manchou a imagem do país, não somente internamente, como externamente. Um crime que vulnerabiliza o Estado brasileiro e suas instituições. Vulnerabiliza a luta pela reforma agrária. Um crime que cujos resultados são de notórias violações dos direitos humanos. Não acredito que sociedade vá ficar insensível diante da argumentação que já muito vem sendo esboçada pelo ministério público.”

Novembro de 2008.

Texto e reportagem:
Juliano Domingues.
Revisão: Danilo Augusto e Nina Fideles.
Locução: Desirèe Luíse, Juliano Domingues.
Vinhetas: Eduardo Sales e Bruno Guerra.
Sonoplastia: Adílson Oliveira, Jorge Mayer e Juliano Domingues
Arte: Vinicius Mansur.

 

Leia e ouça todos os programas da série especial "Massacre de Felisburgo":

Programa 1 - O Massacre

Programa 2 - A Situação Agrária

Programa 3 - O Julgamento

Programa 4 - A Situação Atual em Felisburgo

Programa 5 - Conflitos pela Terra no Brasil

Programa 6 - Perspectivas para o Campo Brasileiro