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A Situação Atual em Felisburgo

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(7'29'' / 1,71 Mb) - Fica difícil narrar o sofrimento vivido pelas famílias que perderam seus parentes e as que viveram aqueles momentos no dia 20 de novembro de 2004.

Ao andar pelo o acampamento Terra Prometida, nota-se que as pessoas não se sentem muito à vontade quando questionadas sobre o episódio. Parece que os traumas e as imagens do massacre ainda se fazem presentes, mesmo passados quatro anos do massacre. A psicóloga Fabiana de Andrade trabalhou durante três anos com as famílias. O objetivo era tentar fazer com que elas assimilassem da melhor maneira possível os traumas que o massacre provocou. Fabiana conta como as famílias reagiam logo no início do tratamento:

“Tiveram prejuízos em termos de saúde mental. Eles narraram principalmente os acontecimentos traumáticos, os danos psicológicos como insônia, depressão, pesadelos e também compartilhavam visões. Visões de companheiros mortos, conversas com companheiros mortos. Esse tipo de conteúdo. Muito sofrimento, muito choro, insônia, conversas de passar a noite sem dormir pensando no massacre. Medo, um medo de tudo quanto é barulho que existisse.”

Todas as viúvas dos trabalhadores assassinados sofrem de depressão e são obrigadas a tomar remédios para combater os sintomas. Dona Tereza, viúva de Miguel José dos Santos, dá o seu relato de como tem lidado com a morte do marido:

“As pessoas me perguntam o que eu vi, se eu estou triste, se estou doente. Eles dizem que eu não era assim. Eles falam que eu era uma pessoa que andava alegre, que saía. Agora eu levo uma vida dentro de casa. Para mim acabou aquela natureza que eu tinha de achar que tudo estava lindo. Para mim acabou tudo.”

Dona Maria, viúva de Joaquim José dos Santos, conta que teve sua vida praticamente destruída depois do massacre. Mãe de três filhos, ela conta que se não fosse a ajuda das famílias que hoje ainda resistem no acampamento, ela seria uma pessoa completamente sem amparo:

Dona Maria, viúva de trabalhador assassinado. “Depois que eu fiquei sem ele minha vida é sofrida. Fiquei com duas meninas e um rapaz. O rapaz é meio problemático, não me ajuda em nada. Eu que tenho que sofrer na roça para trabalhar, para dar a eles o que comer.”

Logo depois do massacre, Felisburgo ficou tomada de políticos e personalidades. Foi garantido aos trabalhadores que a terra seria legalizada e o assentamento seria consolidado como posse dos sem-terras. As promessas que surgiram aos montes pareciam uma luz no fim do túnel para as famílias tão traumatizadas pelo que tinham acabado de viver. No entanto, Jorge, um dos acampados, conta que quase quatro anos depois, a terra não foi desapropriada para reforma agrária e que o assentamento ainda não existe:

“A gente fica angustiado mesmo. Hoje, para nós, a questão é dar continuidade à luta. Lutar porque há uma necessidade de lutar. Mas aí é aquilo que eu falei, nós perdemos muitas pessoas por falta de esperança. Muitas pessoas vão perdendo a esperança, diz que ‘não vai sair é a terra mesmo’ e aí vai embora. Para mim, independente de qualquer coisa, de sair ou não sair, nós estamos na terra, nós estamos com o poder dessa terra.”

Como resultado, das cerca de 230 famílias que haviam ocupado a propriedade de Adriano Chafik, hoje resistem 58 no local. Muitas foram embora, porque simplesmente desistiram de esperar. Já outras abandonaram a terra por causa do medo. Os acampados contam que mesmo após o massacre, as ameaças continuam.

Após o Massacre, o governo de Minas Gerais, que foi acusado de omissão no caso, concordou em indenizar as famílias das cinco vítimas pelas mortes e conceder aposentadoria às viúvas. Para garantir que a promessa fosse cumprida, o deputado estadual e vice-presidente da Assembléia Legislativa de Minas, Rogério Correio (PT), protocolou o Projeto 2972/2006 que transforma o acordo em lei. Com a iminência da votação do Projeto, o governador Aécio Neves (PSDB) voltou atrás e rompeu o acordo estabelecido com os sem-terras, orientando a sua bancada a rejeitar a proposta.

Quatro anos depois da chacina, as viúvas continuam sem indenização e as demais famílias que perderam todos seus bens quando os seus barracos foram queimados, também continuam sem nenhum ressarcimento.

Novembro de 2008.

Texto e reportagem: Juliano Domingues.
Revisão: Danilo Augusto e Nina Fideles.
Locução: Desirèe Luíse, Juliano Domingues.
Vinhetas: Eduardo Sales e Bruno Guerra.
Sonoplastia: Adílson Oliveira, Jorge Mayer e Juliano Domingues
Arte: Vinicius Mansur.


Leia e ouça todos os programas da série especial "Massacre de Felisburgo":

Programa 1 - O Massacre

Programa 2 - A Situação Agrária

Programa 3 - O Julgamento

Programa 4 - A Situação Atual em Felisburgo

Programa 5 - Conflitos pela Terra no Brasil

Programa 6 - Perspectivas para o Campo Brasileiro