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Perspectiva para o Campo Brasileiro

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(6'03'' / 1,38 Mb) - Felisburgo era uma tragédia anunciada assim como várias outras que ocorreram e que continuam ocorrendo no Brasil. Tragédias que têm como principais vítimas os trabalhadores rurais.

Felisburgo era uma tragédia anunciada não só porque nenhuma providência foi adotada frente aos vários alertas feitos pelas famílias acampadas. Alertas que mostravam as ameaças que os jagunços de Adriano vinham movendo contra os trabalhadores.

De acordo com o promotor de Justiça e responsável pelo caso, Afonso Henrique de Miranda, o único objetivo é colocar Adriano atrás das grades. Para ele, Felisburgo e outras tragédias são frutos da concentração de terra, que por sua vez é fruto do modelo de desenvolvimento brasileiro:

“O latifúndio, ainda que produtivo, encerra males ao ser humano e ao meio ambiente. Há uma identificação dessa estrutura fundiária como a causa dos nossos suplícios no campo e que tem reflexo na cidade com a expulsão do homem do campo. Me preocupa muito aquilo que tem sido feito no sentido de fortalecer ainda mais a concentração fundiária no Brasil, que é a monocultura, a agroenergia.”

O integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Minas Gerais, Frei Gilvander, liga a chacina de Felisburgo com as diversas outras sofridas pelos trabalhadores rurais no Brasil. Ele aponta a reforma agrária como solução para esses conflitos, mas critica a maneira como essa vem sendo historicamente realizada pelos governos federais:

Frei Gilvander, da CPT “A reforma agrária que o governo diz estar fazendo é apenas para coibir os conflitos que já são anunciados. Hoje são milhares de pessoas ameaçadas de morte no Brasil. Muitos massacres já aconteceram, por exemplo, o de Corumbiara em 1995, depois 17 de abril de 1996 em Eldorado de Carajás. Depois, no julgamento, 154 policiais vão para o banco dos réus. Todos são inocentados e apenas dois comandantes são condenados. Mas eles ficaram só um pouquinho na prisão e hoje já estão em liberdade de novo. Normalmente, no Brasil, se diz que há uma grande impunidade. Há uma grande impunidade para os donos do poder econômico, para os ricos, os grandes crimes de colarinho branco.”

O quadro geral listado no documento Conflitos no Campo da Pastoral da CPT mostra que os conflitos estão acontecendo principalmente em regiões de expansão do agronegócio no país. A integrante da CPT, Marcilene Aparecida, afirma que em Minas Gerais trata-se de locais onde existe uma forte concentração de terras, das quais boa parte é devoluta. Locais onde o agronegócio tem disputado estas terras com a agricultura familiar. O fato ocorre principalmente no triângulo mineiro:

“O Triângulo Mineiro aqui em Minas Gerais é divulgado em todo país como uma área de grande produção de grãos. É uma região em que aconteceram os conflitos como em Santa Vitória, Campina Verde, entre outros. O estado tem que fazer uma opção, pois onde o agronegócio é privilegiado os camponeses certamente não terão espaço. Eles serão ou já foram expulsos e os que ainda resistem e querem estas terras serão impedidos e infelizmente por bala. Aquilo que parece que é novo e moderno está simplesmente com uma roupagem, uma maquiagem de moderno, mas que continua sendo aquelas ações dos latifundiários do passado.”

Novembro de 2008.

Texto e reportagem: Juliano Domingues.
Revisão: Danilo Augusto e Nina Fideles.
Locução: Desirèe Luíse, Juliano Domingues.
Vinhetas: Eduardo Sales e Bruno Guerra.
Sonoplastia: Adílson Oliveira, Jorge Mayer e Juliano Domingues
Arte: Vinicius Mansur.

Leia e ouça todos os programas da série especial "Massacre de Felisburgo":

Programa 1 - O Massacre

Programa 2 - A Situação Agrária

Programa 3 - O Julgamento

Programa 4 - A Situação Atual em Felisburgo

Programa 5 - Conflitos pela Terra no Brasil

Programa 6 - Perspectivas para o Campo Brasileiro