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As reservas de petróleo e a luta por soberania nacional

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Clique aqui para ouvir(6'37'' / 1,50 Mb) - A descoberta das reservas de petróleo na camada pré-sal muda o papel do Brasil na política mundial. Estimativas apontam que o país pode se tornar o sexto do mundo na produção deste recurso energético, uma vez que as riquezas podem alcançar 300 bilhões de barris de petróleo. A camada do pré-sal foi encontrada justamente quando países como os Estados Unidos estão esgotando as suas reservas.

Para ter uma ideia da dimensão da camada pré-sal, o Brasil, antes dessa descoberta, possuía cerca de 14 bilhões de barris – e já era considerado auto-suficiente na produção de petróleo. Agora, as descobertas somente no campo de Tupi apresentam capacidade para a produção de 50 bilhões de barris.

Em situação oposta, estão as principais potências mundiais, que não possuem petróleo suficiente para cobrir a própria necessidade. Esta é a avaliação do professor da Faculdade Casper Líbero, Igor Fuser.

“Porque não se trata de uma riqueza econômica como as outras. O Brasil está descobrindo petróleo em um momento em que no resto do mundo inteiro as reservas estão em fase de diminuição. Por exemplo, os Estados Unidos já foram, até o final da Segunda Guerra Mundial, o maior produtor e exportador de petróleo do mundo. Hoje, a produção de petróleo dos Estados Unidos está em queda, uma queda brutal. Os Estados Unidos que antes exportavam, vendiam petróleo para o mundo inteiro, hoje se tornaram o maior importador de petróleo do mundo.”

As conhecidas companhias Sete Irmãs – aglomerado das sete transnacionais do ramo petrolífero, entre elas Shell e a Texaco – já controlaram as reservas mundiais de petróleo. Mas, hoje em dia, perderam espaço e só 3% do petróleo no mundo está em suas mãos. Enquanto isso, 65% das reservas petrolíferas mundiais são controladas pelos estados nacionais. Mas, o Brasil ainda não segue esta tendência e nossas reservas são colocadas à venda para o interesse privado internacional.

Para o sociólogo Chico de Oliveira, é o povo brasileiro e a Petrobras quem têm direito aos novos recursos energéticos.

“É preciso um forte movimento popular, que demande soluções que estejam sobre forte controle social e político, para que isso não se transforme em um desastre. A Petrobras foi construída com enorme sacrifício, com descrença, com boicote das grandes empresas internacionais. Nenhuma delas nunca investiu um tostão aqui.”

A atenção dos países ricos deve recair sobre o Brasil. Recentemente, países como Iraque e Afeganistão foram invadidos em nome do controle dos recursos energéticos das grandes potências. Não é à toa que os Estados Unidos reativaram a sua Quarta Frota Marítima, que voltou a exercer atividades para controlar os mares da América Latina.

Igor Fuser não descarta a chance de uma intervenção estadunidense em nosso continente.

“A América Latina sempre foi aquela parte do mundo em que o domínio dos Estados Unidos sempre se deu de forma absoluta, inquestionável. Em outras partes do mundo, os Estados Unidos enfrentam outras potências, na Europa, na Ásia. A América Latina sempre foi considerada por eles uma área de controle garantido. No entanto, de uns dez anos para cá, os Estados Unidos começaram a perder o controle da América Latina. Uma série de países, o mais destacado deles é a Venezuela, passaram a assumir atitudes de afirmação da sua independência, da sua soberania.”

Honduras é um país pequeno que viveu um golpe de Estado recentemente. Uma das razões é o fato de o presidente do país, Manuel Zelaya, ter se aproximado da Venezuela por meio da Alternativa Bolivariana das Américas (Alba), em busca de melhores preços para a compra de petróleo. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também sofreu um golpe em 2002, por estar retomando o controle do Estado venezuelano sobre o petróleo e a empresa estatal que explora o recurso.

Os povos na América Latina estão em luta pela soberania energética e o controle dos recursos naturais. É o caso da Bolívia, Venezuela e Equador. Porém, em países como o México, as reservas descobertas em 96 foram consumidas rapidamente, de acordo com os interesses das transnacionais. É por isso que as descobertas do petróleo na camada pré-sal podem ser uma benção ou uma maldição. Na visão do sociólogo Chico de Oliveira, este é o perigo que o Brasil corre se o povo não tiver controle sobre as novas jazidas.

“Só deu certo ali onde as sociedades tinham capacidade para controlar isso. Mesmo a Holanda, que é um país com uma longa tradição de finanças, pagou caro o petróleo do Mar do Norte da qual ela é sócia. Noruega e Inglaterra se deram bem, mas só sob forte controle, porque senão o feitiço vira contra o feiticeiro.”

O controle do povo brasileiro sobre as reservas de petróleo na camada pré-sal é uma luta de todos nós.

Leia e ouça todos os programas da série especial "O petróleo tem que ser nosso":

Programa 1 - Petróleo no Brasil: memória de lutas populares

Programa 2 - Pré-sal, uma riqueza desconhecida em risco

Programa 3 - As reservas de petróleo e a luta por soberania nacional

Programa 4 - Fundo Social Soberano nas mãos do povo brasileiro

Programa 5 - Uma outra inserção do Brasil no contexto mundial

Programa 6 - O petróleo e as novas fontes renováveis

Programa 7 - Mobilização: um caminho para o povo brasileiro 



Ficha técnica

Coordenação: Danilo Augusto

Revisão de conteúdo:
Ana Maria Amorim, Aline Scarso, Desirèe Luíse e Pedro Carrano

Reportagem:
Pedro Carrano

Vinhetas:
Dafne Melo e Nilton Viana

Sonoplastia:
Adílson Oliveira e Jorge Mayer

Locução:
Ana Maria Amorim e Pedro Carrano