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Uma outra inserção do Brasil no contexto mundial

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Clique aqui para ouvir(5'11'' / 1,18 Mb) - Nos encontros realizados da campanha “O petróleo tem que ser nosso”, as organizações, movimentos sociais e centrais sindicais criaram um programa de nove pontos, uma proposta das forças populares para o uso dos recursos do pré-sal. Entre as questões levantadas, está a nova inserção do país no mundo a partir de um projeto de soberania que garanta o atendimento das necessidades da população.

Entre os pontos levantados pelas organizações sociais estão: a mudança na lei do petróleo; investimento na indústria petroquímica; medir o tamanho da riqueza do pré-sal; criar um Fundo Social Soberano de investimento para as necessidades do povo; respeito aos povos impactados pela indústria do petróleo; redução do uso do petróleo e avanço nas pesquisas de nova matriz energética; que a exploração, produção e transporte sejam realizados pela Petrobras 100% estatal; apoio às campanhas contra privatizações e pela reestatização da Vale e da Embraer; e contra a criminalização dos movimentos sociais.

 A substituição da exportação de petróleo cru e a transição para a indústria petroquímica de refino, estes são horizontes da campanha. Ao invés de exportar ou somente queimar combustível, as organizações sociais apontam a necessidade de fortalecer a indústria petroquímica estatal. Este tipo de indústria é responsável pela produção de mais de três mil produtos, do setor têxtil à construção civil, da eletroeletrônica ao setor de embalagens. A partir da matriz do petróleo são produzidos sacos plásticos, pneus, gasolina, gás de cozinha, tintas, aromatizantes de comidas e bebidas, roupas feitas de tecidos sintéticos e outros.

O diretor do Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro (Sindipetro-RJ), Emanuel Cancella, comenta que a Petrobras está retomando o investimento no parque de refino.

“Produzir petróleo para as petroquímicas, porque o Brasil está retomando o braço petroquímico, que o Fernando Henrique privatizou totalmente. O combustível não é a parte mais lucrativa, a parte mais lucrativa é a [indústria] petroquímica, que está em volta da nossa vida. Então, temos que tratar o petróleo como uma riqueza estratégica.”

De acordo com o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconomicos (Dieese), Henrique Jäger, o Brasil não deve exportar petróleo bruto e sim o petróleo refinado, que alcança melhor preço no mercado e, principalmente, agride menos o meio ambiente.

 “E os empregos que vão ser gerados neste refino, ao invés de você gerar lá fora, porque ninguém consome petróleo bruto – você só consome o petróleo depois que ele passa por um refinamento da indústria seja na própria petroquímica, seja na própria indústria petrolífera – estes empregos não são gerados lá fora e sim aqui dentro.”

Ainda de acordo com o economista, esta é uma questão estratégica, uma vez que o petróleo necessita do refino, pois não é consumido como matéria bruta. Se a produção for intensificada e voltada apenas para a exportação, tal escolha do Estado vai causar sérios danos ao meio ambiente, uma vez que o modelo atual de produção é insustentável e não pode ser reproduzido. Neste caso, o ritmo de produção atenderia ao mercado mundial e não à necessidade do povo brasileiro – o país consome pouco mais de 2% do petróleo do mundo.

Nas palavras de Jäger, esta é uma das escolhas colocadas em relação ao uso das riquezas do pré-sal:

“O ritmo que vamos retirar este petróleo da terra é o ritmo da necessidade de consumo do Brasil ou é da necessidade de consumo dos Estados Unidos? Os EUA produzem 6% do petróleo utilizado no mundo e consomem 25%. Manter este padrão de consumo dos Estados Unidos e dos países desenvolvidos significa colocar o mundo em colapso em médio prazo. Quanto mais rápido você tirar o petróleo para exportar, maior será o impacto sobre o meio ambiente.”

Leia e ouça todos os programas da série especial "O petróleo tem que ser nosso":

Programa 1 - Petróleo no Brasil: memória de lutas populares

Programa 2 - Pré-sal, uma riqueza desconhecida em risco

Programa 3 - As reservas de petróleo e a luta por soberania nacional

Programa 4 - Fundo Social Soberano nas mãos do povo brasileiro

Programa 5 - Uma outra inserção do Brasil no contexto mundial

Programa 6 - O petróleo e as novas fontes renováveis

Programa 7 - Mobilização: um caminho para o povo brasileiro 


Ficha técnica

Coordenação: Danilo Augusto

Revisão de conteúdo: Ana Maria Amorim, Aline Scarso, Desirèe Luíse e Pedro Carrano

Reportagem: Pedro Carrano

Vinhetas: Dafne Melo e Nilton Viana

Sonoplastia: Adílson Oliveira e Jorge Mayer

Locução: Ana Maria Amorim e Pedro Carrano