Sem reforma agrária, dificuldades nos centros urbanos
(8'47' / 2,01 Mb) - Mais uma vez a ausência da reforma agrária no Brasil ficou em evidência. O Comunicado nº 42 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), intitulado “PNAD 2008: setor rural”, Domicílio Rural” divulgado no início deste mês, constatou que “muitos problemas presentes nas cidades – a pressão demográfica, o processo caótico de urbanização da periferias etc. – se explicam, ao menos em parte, pela não realização de uma reforma agrária.”
No processo brasileiro de industrialização, a forma de produção obrigou grande parte da população rural a migrar para as cidades. Mesmo assim, hoje, o meio rural brasileiro abriga aproximadamente 30 milhões de pessoas. Para se ter uma ideia da dimensão desse número, a população rural representa 16% de toda a população brasileira. Se fôssemos criar um país com essas pessoas, ele seria o 3º maior da América do Sul em número populacional, perderia apenas para o Brasil e para a Argentina.
Para o jornalista e integrante do Comitê Central do PCdoB, Altamiro Borges, o estudo serve como forma de contrapor os debates feitos pelos setores conservadores do Brasil, que afirmam que a reforma agrária não é viável para os dias atuais.
“Esse estudo desmonta a tese dos ruralistas. A reforma agrária é uma necessidade no Brasil, ela é uma necessidade social, uma necessidade para a democracia e uma necessidade econômica. Os estudos demonstram a importância do meio rural. A agricultura familiar é a que mais emprega e que mais produz alimento no Brasil. Esse estudo demonstra que na ausência de uma política de distribuição de terra o que ocorreu foi o aumento da concentração da propriedade fundiária e a exclusão das pessoas que acabaram inchando as cidades. Sem uma política agrária e sem uma política agrícola, a permanência e a sobrevivência das pessoas do campo se tornaram inviável e elas migraram para as cidades.”
Cidadãos do campo
A afirmação do jornalista é compartilhada com opinião da coordenadora da área do desenvolvimento rural do Ipea, Bracolina Ferreira. Para ela, a reforma agrária é a principal forma de dar sustentabilidade e cidadania para a população rural. Ela também critica o setor conservador do Brasil, liderado pelos ruralistas.
“Claro que os setores conservadores são contra a distribuição de patrimônio. Por eles, eles seriam donos de todo o território rural, inclusive o urbano. A única forma de você dar cidadania a essa parcela considerada da população rural que é muito pobre é distribuindo o patrimônio. Dados do PNAD mostram que tanto o rendimento domiciliar rural, tanto os rendimentos da população que trabalha no campo estão muito abaixo dos domicílios urbanos. A distribuição do patrimônio será a única forma de eles terem emprego e renda. Todos nós sabemos que os empregos gerados pelo agronegócio não é lá essas coisas.”
No estudo, o Ipea colheu informações sobre a quantidades de habitantes na área rural brasileira, acesso à educação, saneamento básico, distribuição de energia elétrica, distribuição de rendimentos, entre outros. Ao final, constatou-se que há uma baixa escolaridade, precárias condições de moradia, reduzidos níveis de renda e remuneração do trabalho das famílias residentes no campo brasileiro. Segundo o Comunicado, isso foi a base da conclusão que “a atualidade e urgência da reforma agrária como única forma de superar as condições precárias de vida e a pobreza que caracteriza o meio rural brasileiro.”
Mas as políticas governamentais não entendem essa dimensão. Isso pode ser comprovado nos discursos que afirmam não existir demandas para a reforma agrária e na criminalização de movimentos sociais que lutam pela terra. Para Brancolina o tema não está sendo tratado com seriedade no Brasil.
“Prevalece muito na grande mídia a idéia de que o rural tende a desaparecer e que é quase insignificante em termos do tamanho da população urbana e do tamanho das cidades. Esse mito e este desvio de atenção faz a gente esquecer que 30 milhões de pessoas é muito significativo. Essa população necessita de educação de habitação adequada, acesso a serviços públicos básicos. Sem isso, vimos nos últimos 30 e 40 anos uma migração rural urbana que serviu para inchar as cidades e as periferias urbanas.”
Esmiuçando os dados do estudo, os números sobre a educação na área rural são preocupantes. Se comparar a população rural com a urbana, a taxa de analfabetismo daqueles que moram no campo é de 23,5% para pessoas acima de 15 anos, número muito superior aos 7,5% de analfabetismo que atinge as pessoas com a mesma faixa de idade que moram na cidade. Nas cidades 9% da população não tem nenhuma ou pouco instrução, no campo esse número é superior a 24%. Já na questão da escolarização. Mais de 40% da população urbana tem mais de 11 anos de estudo. Porém, na população rural, pouco menos de 13% conseguiram esse número.
É preciso avançar
Em relação das questões de políticas sociais para o campo, apenas na questão de distribuição elétrica pode-se dizer que a população rural não é tão desfavorecida. Em 2008, 91% dos domicílios rurais recebiam energia. O alto número pode ser atribuído ao programa de eletrificação rural promovido pelo Governo Federal em 2004. Outra medida governamental que também deu resultado foi o programa Bolsa Família. Em 2008, aproximadamente 26% dos domicílios situados em área rural recebiam o benefício.
Mesmo com criticas a estes programas, Altamiro avalia como positivos.
“Acho que estes dois projetos são positivos. Mas há um problema, eles não mechem na estrutura agrária brasileira. Eles não resolvem a questão das propriedades, mesmo com eles ainda mantém-se no campo a concentração da terra. Porém, evidentemente eles dão melhores condições para que uma família de trabalhadores rurais permaneçam no campo com uma condição mais digna.”
Para o integrante da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), José Batista de Oliveira é preciso entender a complexibilidade da reforma agrária. Ele enfatiza que para muitos o debate da reforma agrária fica apenas no foco da distribuição de terras e deixam de lado a questão da saúde, habitação, estudos...
“Essa questão da saída em massa dos trabalhadores do campo está relacionada à questão estrutural que é o modelo de desenvolvimento implementado na agricultura. Isso elimina toda a possibilidade de criação de emprego e renda no campo. Com isso, a discussão da reforma agrária entra dentro de um outro modelo de desenvolvimento para o campo, visando atender as famílias que serão assentadas e mais que isso, gerar emprego direto e indireto no campo. Isso hoje é possível em um projeto de reforma agrária que dá condições de acesso a escola, moradia e outras infra-estruturas sociais. É muito mais viável a população que permanece no campo, continuar lá, do que enfrentar o que as pessoas estão enfrentando nas periferias das cidades.”
Um dos dados mais alarmantes do estudo trata da distribuição de renda. A renda média por pessoa da área urbana é de R$ 786, e da área rural é de R$ 360. Na Região Nordeste o número é ainda mais desigual, ficando na casa dos R$ 296 por pessoa da área rural.
Com essas variações de números fica expressa a urgência de efetivação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da área rural, como explica José Batista.
“A reforma agrária será um conjunto de medidas que permitirá a volta do desenvolvimento do campo no interior do país. Vai desenvolver mercado local, gerar emprego, garantir a preservação ambiental e aumentar a capacidade de permanência dos trabalhadores no campo para garantirem alimento de qualidade sem mais veneno. Ela vai evitar que transformemos o Brasil, no que está em curso, no maior consumidor de veneno no mundo. A reforma agrária é um projeto estruturante que resolve o problema diretamente da população que vive no campo e diretamente atende toda a sociedade brasileira.”
De São Paulo, da Radioagência NP, Danilo Augusto.
09/04/10

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Reforma agraria
"La Reforma Agraria con Base Cooperativa en el Paraguay es una cuestión de humanidad”Por José Yorg* ¿Qué expresan las movilizaciones campesinas en procura de la anhelada tierra? ¿Es concebible-desde la ciencia económica-un campesino sin tierra? ¿Social y políticamente analizado la cuestión, es viable un país con una creciente contradicción? La mejor política para controlar y eventualmente evitar las invasiones de tierra por parte de los campesinos, constituye el impulso a priorizar la Reforma Agraria con Base Cooperativa, asumiendo posturas prudentes en los primeros pasos para la organización campesina, facilitándoles un papel protagónico en ese proceso a través de recursos para la capacitación y el asesoramiento que aseguren sustentabilidad. Pero, ¿Cuáles son las posibilidades reales de definir una Reforma Agraria con Base Cooperativa, en cuanto a sus requerimientos de adecuar la gestión estatal sobre la necesaria respuesta a las demandas y críticas campesinas y acordes a la concepción cooperativista que reclama autonomía e independencia de los gobiernos? Las posibilidades para la Reforma Agraria con Base Cooperativa van a depender de cómo se establezcan los diálogos y acuerdos entre los campesinos, entre los ganaderos y terratenientes y el propio Estado. Y esto dependerá seguramente de cómo se resuelvan las tendencias antagónicas, pero todos tendrán que entender que este problema social y político no nació del seno campesino. Al plantear la Reforma Agraria con Base Cooperativa se parte desde un enfoque realista, moderno y prudente, toda vez que se reconoce la escasez del factor tierra para adjudicar la cantidad optima e individualmente a cada campesino, adosándole la ventaja empresarial que otorgará la cooperativa, tendiente a garantizar la necesaria rentabilidad y dignificación social y económica del labriego. Este noble planteamiento cooperativo parte de la historia misma del Paraguay Independiente del Dr. Francia y los López que tuvieron a los campesinos en lo más hondo de sus corazones, puesto que fueron fundadores de las primeras cooperativas conocidas como Estancias de la Patria. La Patria soñada será construida por hombres y mujeres imbuidos de conocimientos, valores y sentimientos que tengan que ver con ese pasado glorioso del Paraguay cuyo proceso agroindustrial fuera interrumpido por intereses mezquinos externos. En eso pensamos y nos afirmamos cuando decimos que la Reforma Agraria con Base Cooperativa en el Paraguay es una cuestión de humanidad. A la par del proceso de democratización y cambio expresado en las elecciones que dieran a Lugo la conducción de ese proceso transformador, la participación de los campesinos en la Reforma Agraria con Base Cooperativa es un punto neurálgico para garantizar ese cambio benéfico que la inmensa mayoría espera y necesita. Porque hoy está en juego algo más que el crecimiento económico, ello es que las demandas justas de los campesinos, adheridos eventualmente a la idea cooperativa, estarán destinados a jugar un papel importante en la lucha frontal contra la pobreza y la emigración que desangran al pueblo paraguayo, laborioso y fecundo. Sin embargo, también debemos señalar que la renovada vitalidad del campesinado expresada en la confianza que tienen en sí mismos y su insistente búsqueda de soluciones concretas, han ido revelando una seria ausencia del Movimiento Cooperativo, quien debe sentirse interpelado sobre su rol educador y promotor de una transformación social y económica surgida de los Valores y Principios Rochdelianos. Esta posición proclamada por un cooperativista con visión latinoamericanista, enfatiza, en particular, el método de la práctica de la cooperativización voluntaria y gradual, ¡¡ jamás impuesta!! *Líder cooperativista, *Experto en educación cooperativa escolar y universitaria.