Luta da comunidade Xakriabá modifica política local
(1'50'' / 432 KB) - Enquanto aguardam a demarcação de cerca de 80 mil hectares de terras, que ficaram de fora da demarcação oficial feita pela FUNAI (Fundação Nacional do Índio), aproximadamente oito mil indígenas da comunidade Xakriabá continuam vivendo em condições precárias. Desde 2006, eles lutam pela posse da região conhecida como Morro Vermelho, localizada no município de São João das Missões, em Minas Gerais.
Em razão das limitações econômicas, muitos indígenas deixam a aldeia e acabam se tornando vítimas do trabalho escravo e da violação dos direitos trabalhistas. De acordo com Antônio Eduardo Cerqueira, integrante do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), esse processo tem se tornado comum no segundo semestre em razão da seca.
“A maioria dos jovens migram para o Sul de Minas para trabalhar nas lavouras de café. Outros vão para o interior de São Paulo, onde são empregados nas usinas de cana-de-açúcar.”
Ainda segundo Cerqueira, as dificuldades de sobrevivência não impediram a organização interna e participação intensa na política do município onde a aldeia está inserida.
“Eles sobrevivem numa região totalmente desfavorável economicamente e politicamente porque o preconceito é muito grande, mas eles têm participado de um processo de luta muito interessante. Conseguiram, inclusive, administrar o município de São João das Missões. Hoje, o prefeito é um Xakriabá e eles têm também seis vereadores nesse município.”
Em audiência realizada no dia 9 de abril, a Justiça Federal determinou que a FUNAI terá que concluir o processo de demarcação da área reivindicada pelo povo Xakriabá no prazo de oito meses.
De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.
20/04/2010
