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Concentração fundiária impulsiona conflitos no campo

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(2'03" / 484) - Todos os anos milhares de trabalhadores sem terra lutam por terra no campo brasileiro. Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostram que pelo menos 92 mil famílias são envolvidas anualmente em conflitos por terra no país. Nos últimos 25 anos, o Brasil registrou uma média de 765 conflitos diretamente relacionados ao acesso a terra no campo.

Para o integrante da coordenação da CPT, Dirceu Fumagali, a alta concentração fundiária impulsiona os conflitos. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) expressa, para Dirceu, a articulação política dos empresários no campo para manter esta concentração. No índice GINI, que mede o grau de concentração fundiária de um país, o Brasil atinge 0,843 numa escala que vai de 0 a 1.

“Boa parte da CNA representa o que existe de mais arcaico no modelo fundiário brasileiro, que é calcado na concentração e especulação da terra como poder econômico para gerar uma carteira financeira. Aparentemente é um modelo que traz resultados porque gera divisas [para o país]. [Mas] não tem a prioridade de planejar a qualidade da produção, produz grãos e não alimentos, e está preocupado em abastecer o mercado externo e não interno.”

Segundo Dirceu, o governo Lula priorizou a agricultura para exportação.

“Não há investimento na agricultura porque este modelo não tem a perspectiva de gerar lucros simplesmente. Então conflito ocorre desta disputa de modelos [de produção] no campo: de um lado a grande concentração [de terra] e do outro, o modelo da agricultura familiar camponesa, com outra concepção de modelo de produção, com o objetivo primeiro de produzir alimentos.”

De São Paulo, da Radioagência NP, Aline Scarso.

05/05/10

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