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Privatizada há 13 anos, Vale viola direitos em 30 países

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(7’18”/ 1,67 Mb) - Fundada em 1942 e privatizada em maio de 1997, a mineradora Vale transformou-se em símbolo da política neoliberal implementada pelo governo Fernando Henrique Cardoso (FHC). A estatal foi adquirida pela iniciativa privada pelo valor de US$ 3,4 bilhões. Atualmente, o valor de mercado passa de US$ 140 bilhões, valor quarenta vezes maior que o preço de sua venda.

Somente no ano de 2009, a Vale teve um lucro líquido de mais de US$ 5 bilhões. Em contrapartida, sua ação exploratória em aproximadamente 30 países em que atua está provocando conflitos sociais e ambientais.

A semelhança das ocorrências nos diversos países onde a Vale atua fez com que 80 organizações, presentes nos cinco continentes, organizassem o Movimento Internacional dos Atingidos pela Vale.

Com a mobilização, foi criado um dossiê, que demonstra a ação devastadora da empresa. O documento foi entregue à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) no final de março deste ano.

Em entrevista à Radioagência NP, a economista Karina Kato, integrante do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul, defende a anulação do leilão da Vale e fala sobre a tensão social nos territórios atingidos pela multinacional brasileira.

Radioagência NP: Karina, o que consta neste  “Dossiê dos Impactos e Violações da Vale no Mundo”  que foi enviado para os organismos internacionais?

 Karina Kato: No Peru, teve um caso de um funcionário de uma subsidiária da Vale que foi condenado por tentativa de homicídio. A Vale está entrando lá para a constituição de milícias armadas. São denúncias parecidas com aquelas que ouvimos aqui, na Baía de Cepetiba, onde está sendo construída a Companhia Siderúrgica do Atlântico. Enfim, são várias violações  de direitos humanos, casos de destruição do meio ambiente. Por isso, esse dossiê foi apresentado como um documento que prova essas violações cometidas pela vale e entregue a diversas instâncias.

RNP: No documento, a Vale é acusada de violação dos direitos humanos, exploração de trabalhadores, destruição do meio ambiente, entre outros. Como ela consegue preservar a imagem de companhia sustentável?

 KK: A Vale acaba construindo uma imagem de si que não corresponde à realidade. Nos territórios onde atua, ela possui uma imagem totalmente diferente daquela que ela vende. No entanto, ela consegue manter no imaginário social do brasileiro comum a imagem de uma empresa verde-amarela, que pertence a todos os brasileiros, o que já não é mais verdade há muito tempo, desde a privatização.

RNP: Sustentabilidade é um dos assuntos mais debatidos no momento. Como ele foi abordado na assembléia da qual participaram o movimento e os acionistas?

 KK: A Vale fez uma apresentação de como foi sua atuação em 2009. As palavras sustentabilidade, meio ambiente e comunidade não apareceram na apresentação. Era uma apresentação voltada para o mercado, vendas e exportação de commodities. Foi curioso porque os próprios acionistas cobraram isso da empresa. Questionaram as ações que estão sendo feitas acusações de violação nos territórios.

RNP: Que impactos a ação da Vale provoca nas comunidades onde ela atua?

KK: Na Tailândia tem cerca de 1.5 mil famílias de acampamentos e assentamentos que convivem com 79 fornos que produzem carvão. A produção funciona 24 horas para alimentar as indústrias da Vale. A conseqüência são problemas respiratórios, crianças que não conseguem ir ao colégio por conta da alergia e outros problemas. A mesma coisa acontece com famílias que moram perto de siderúrgicas. A violência que vitima os camponeses que se opõem às ações da empresa. A Vale é arrogante, tem uma forma muito agressiva de exploração dos recursos naturais e dos recursos humanos em todas as áreas.

RNP: A questão trabalhista também está sendo desrespeitada?

KK: Um grande exemplo dessa arrogância está na greve de nove meses, onde 3.5 mil mineiros estão parados. Um detalhe é que no Canadá os trabalhadores não recebem pelos dias parados. O sindicato contribui com 20% do salário que eles recebem. Vem de um fundo para a greve. Para se ter uma idéia, eles estão passando necessidades, alguns estão passando fome. Segundo cálculos do sindicato, se os trabalhadores aceitassem todas as exigências da Vale, a redução do custo da empresa por libra de níquel seria de cinco centavos. Seria um impacto muito grande para os trabalhadores. Em contrapartida, um impacto muito pequeno para a empresa.

RNP: O Movimento defende a anulação do leilão de privatização da Vale?

KK: Consideramos que o leilão foi ilegal, as reservas foram subvalorizadas, foram vendidas a um preço extremamente baixo. Era um patrimônio brasileiro, que passou para as mãos da iniciativa privada sem ao menos se fazer uma consulta à população. A Vale tinha um fundo que destinava 3% de sua lucratividade, que eram revertidos para as comunidades onde ela mantinha a exploração. Esse fundo foi retirado, se tornou um valor fixo, que é controlado e operacionalizado pelo BNDES.”

RNP: Como os movimentos sociais devem se organizar diante do poderio das grandes corporações?

 KK: Precisamos denunciar e dar voz a esses grupos que estão sendo impactados. É preciso articular as diferentes lutas em torno de uma luta só. Afinal, estamos lutando pelo mesmo motivo. Por condições de vida digna, por um meio ambiente saudável, por distribuição de riqueza, pela não-exploração do trabalho. Parecem lutas distintas, mas é uma luta só.

De São Paulo, da Radioagência NP, Jorge Américo.

06/05/10